quinta-feira, 2 de agosto de 2012

DIÁLOGO ENTRE AS RELIGIÕES

Neste mundo “globalizado”, cada vez mais se conhece que a paz entre as religiões, sua capacidade de dialogar humanamente e em nome do Deus da Vida, é fator essencial para a paz entre os povos: A paz entre as religiões para a paz do mundo é “agenda” de urgência e programa universal.
            Esse diálogo se impõe como fruto doloroso de uma longa experiência de incompreensões, de atritos e de verdadeiras guerras, alimentadas por fundamentalismos, exclusivismos e proselitismos religiosos. Cada vez mais se sente a necessidade de um verdadeiro aprendizado de diálogo em todas as esferas da vida pessoal e social, e mais concretamente nesta esfera profunda.
            Diálogo é um termo de sucesso. Quando utilizado no Concílio Vaticano II, revelava e trazia consigo um espírito novo, uma vontade de entrar em diálogo. Exprimia uma atitude de fundo a indicar uma grande mudança. Foi aplicado aos mais diversos campos da cultura, da sociedade e entre as religiões.

DIÁLOGO: PARTE DA VIDA
            Geralmente se costuma enaltecer o diálogo em momentos de conflitos. Na realidade, não deveria ser assim, o diálogo deve ser algo presente e natural em todas as religiões, independente das situações históricas.
            Diálogo é a atitude fundamental que todas as religiões devem ter para que os encontros tenham alguma utilidade para todos. Não se trará somente de encontro de alto gabarito, mas entre as religiões também na vida de todos os dias: entre trabalhadores mulçumanos e cristãos, entre turistas e pessoas nativas, etc. Em toda a circunstância, cada um deve aprender a ser, ao mesmo tempo, fiel às próprias convicções e a respeitar as dos outros.
            O diálogo difícil quando um país, um governante, um religioso... tem como objetivo a hegemonia, o poder absoluto sobre o mundo. Por esta razão, é necessário buscar a coexistência. Afinal, é a riqueza que, juntas, constroem uma convergência útil para todas as partes.

O FUNDAMENTO DO DIÁLOGO
            Olhando um dicionário, veremos logo que o sentido da palavra “diálogo” é muito claro: troca ou discussão de idéias, de opiniões, de conceitos, com vista à solução de problemas, ao entendimento, à harmonia, à comunicação.
            O fundamento do diálogo está na constatação de que existem idéias e ações diferentes, ou seja, que existe um pluralismo.
            O pluralismo é sinal de progresso, de crescimento. Ele provoca abertura, atenção, clareza de convicção e de pensamento, humildade para aprender e captar a posição do outro, acolher a liberdade de expressão do diferente.
            O progresso do diálogo é muito mais importante do que o assunto ou o conteúdo, porque educa as pessoas, levando-as a descobertas incríveis no conhecimento tanto de si mesmos como dos outros. Mas, chegar ao diálogo não é coisa fácil. Pressupõe interesse e determinação: falar e ouvir, partilhar, discernir e decidir juntos.
            João Paulo II informou que “a evangelização deve passar pelo diálogo e pela inculturação”.
            Kofi Annan, Secretário geral da ONU, afirmou que o diálogo salvará a humanidade: “Sou filho da tradição, da cultura e dos valores que aprendi com minha família. Isso é parte de minha constituição moral e está muito vivo. Tive a felicidade de estudar e trabalhar nos Estados Unidos e na Europa. Fui influenciado pelos dois lugares, mas a cultura africana foi a que teve o maior impacto. Em Gana, aprendi a ouvir. Quando há um problema, meu povo se reúne e fala, fala até encontrar uma solução. Esse tipo de postura incentiva as soluções em conjunto e a cooperação.”
            No entanto, o mesmo Kofi Annan, quando questionado sobre os principais problemas mundiais da atualidade, afirma que os conflitos, incluindo os religiosos, estão na lista dos mais graves problemas: “A meu ver, a pobreza e a desigualdade ocupam o primeiro lugar. A degradação do meio ambiente e a exploração não sustentada dos nossos recursos naturais vêm logo depois. Colocaria em terceiro lugar os conflitos, em geral as guerras civis nas quais morrem mais crianças e mulheres do que soldados. Em quarto lugar, o terrorismo e a proliferação de armas de destruição em massa. Finalmente, a desconfiança entre pessoas de diferentes religiões, o que torna nosso mundo mais complicado e intolerante.” 
            O caminho da paz mundial passa pelo diálogo entre as religiões. Nesse diálogo surgem os pontos comuns elencados ainda em 1970 na Conferência Mundial das Religiões em favor da Paz em Kyoto. Pacificadas as religiões – e ainda há muito por fazer – cria-se a plataforma para a paz política, fundada numa ética mínima do cuidado para com a Terra e para a biosfera, na cooperação universal, na co-responsabilidade face ao nosso futuro comum e na reverencia face ao ministério da existência. Só nos resta dialogar e aprender uns dos outros para evitarmos o choque total e darmos chance à paz perpétua.
            Portanto, não há dúvida sobre a importância e a necessidade de diálogo, seja no campo religioso, no familiar, no político, etc.

FORMAS DE DIÁLOGO
            Costuma-se fazer uma distinção quando se fala sobre diálogo em ambientes religiosos. Geralmente, falamos de três níveis:
Ecumênico: é o diálogo entre as religiões cristãs e entre os cristãos.
Inter-religioso: é o diálogo mantido com todos os que admitem Deus e que guardam em suas tradições preciosos elementos religiosos e humanos.
Cultural: diálogo com as culturas. Todos, crentes e não crentes, devem prestar seu auxílio para a construção de um mundo mais justo.

O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO
            Percebemos que o fanatismo e a intolerância religiosa estão presentes em nossa época. Trata-se, com certeza, de uma contradição se pensarmos que a essência das religiões é justamente o contrário: a paz, a harmonia, a solidariedade, etc. infelizmente, a história mostra que nem sempre foi assim.
            No entanto, também não podemos negar que gestos importantes estão acontecendo para a aproximação das religiões e para a promoção de valores essências à humanidade.
            Vamos citar alguns:

O encontro de Assis (Itália) em 1986, quando diversos representantes religiosos se reuniram num clima de diálogo e cooperação. Encontros semelhantes estão acontecendo em diversos níveis.
João Paulo II, dirigindo-se aos mulçumanos, em 1993, afirmou que “a autentica fé religiosa é uma fonte de compreensão recíproca e de harmonia, e que só a deformação do sentido religioso conduz à discriminação e ao conflito.”
O Dalai-Lama, líder o budismo tibetano, anda por todo o mundo pregando que a religião deve objetivar a felicidade das pessoas e a paz.
            Todas as religiões, com diferentes nomes, proclamam, celebram e buscam a salvação ou a libertação da pessoa humana. A partir dessa procura comum, as religiões deveriam aprender a relativizar o que é relativo e absolutizar o que é absoluto. Não só a se encontrar respeitosamente para o diálogo, mas a conviver em diálogo e do diálogo. Com essa atitude humilde e aberta, o diálogo não só é possível, mas também desejável e até necessário. “Deus é maior que nosso coração” (1 Jo 3,20). Esta deveria ser a premissa de todo diálogo inter-religioso. Deus não se esgota numa só revelação. E tem muitos nomes, e sempre é tão misteriosamente inacessível como próximo, “mais íntimo que nossa própria intimidade” (Agostinho de Hipona).
            Esse diálogo, além do mais, deverá se entender não somente entre os confessantes de uma fé religiosa, mas também com todos os militantes da justiça, e, por princípio, com toda a Humanidade.
            O shalom bíblico, com sua significação de paz plenificada, é sonho e registro de todas as religiões: “O nome do único Deus deve tornar-se cada vez mais aquilo que é um nome de paz, um imperativo de paz.” (Novo Milênio Ineunte 55).

UMA ESPERANÇA
            O diálogo inter-religioso vem demonstrar a possibilidade de uma nova perspectiva de atuação das religiões ao reconhecer que elas podem exercer um papel significativo na construção de uma ética da superação da violência; que podem juntar forças no empenho comum para salvaguardar a integridade dos seres humanos e da terra ameaçada.
            Elas devem testemunhar também que a verdadeira relação com o Absoluto é incompatível com toda e qualquer desumanização ou violência, sobretudo se isso acontecer no interior de cada uma delas e em relação com as outras religiões.
            Debates e polêmicas sempre marcaram todas as religiões e nem sempre foram pacíficos. No entanto, respeitar-se reciprocamente, na consciência das respectivas diferenças, é a primeira condição de uma coexistência tranqüila.
            Aceitar as diferenças e conviver com elas não é fácil. É um grande desafio. O respeito à diversidade é uma reivindicação recente e tem sido uma conquista árdua e persistente da sociedade humana. Basta lembrarmos a luta pelo reconhecimento das diferenças raciais e étnicas, religiosas e culturais, de gênero e opção sexual e outras mais. Nesse sentido, foram dados passos significativos. Porém, a intolerância, geradora de exclusão e violência, ainda atua no mundo de hoje. Nesse contexto, o diferente é visto como incômodo, estranho e desprezível. Por isso, é preciso desqualificá-lo, excluí-lo. Urge uma mudança de mentalidade e de atitudes e, nessa tarefa, a educação tem um papel fundamental.”
            Além da coexistência, é possível um verdadeiro diálogo entre as religiões?
            Deve-se admitir que a atitude costumeira entre os grupos religiosos é um convite: Venham conosco, entrem e façam parte do nosso grupo. Ou: Permaneçam como são, mantenham as convicções de vocês, mas respeitem a nossa maneira de ver as coisas.
            Contudo, em cada religião é possível encontrar as bases de um verdadeiro diálogo. As palavras são diferentes, mas as mensagens devem ser expressão de paz, harmonia, caridade, amor ou compaixão.
            O diálogo é uma reciprocidade fundamental que se instaura entre dois pilões de relação: o eu e os outros. Pressupõe sempre uma semelhança e uma diferença, uma identidade e uma alteridade. O diálogo se instaura quando ocorre uma atitude de abertura e escuta do outro, do diferente; quando se reconhece o outro como sujeito portador de uma liberdade e dignidade fundamentais.
            Nenhuma religião pode pretender ter a posse de Deus negando os valores sagrados das demais. Deus, o Transcendente, é maior que toda e qualquer religião.
            O diálogo inter-religioso, nesse sentido, é uma grande possibilidade de realização de um processo com pessoas, grupos, comunidades e religiões para:
● um objetivo comum (a paz, a felicidade, a justiça...).
● uma afirmação da identidade (conhecer o outro é uma forma de se conhecer melhor a própria religião),
● um enriquecimento mútuo (a riqueza das diferenças e das semelhanças).

CONDIÇÕES ESSENCIAIS
            O diálogo inter-religioso deve atender a algumas condições essenciais: a humildade, o reconhecimento do valor da alteridade, a fidelidade à tradição, a abertura à verdade e a capacidade de compaixão:
            Humildade: o diálogo exige, antes de qualquer coisa, uma disponibilidade interior de abertura e acolhimento. A maior resistência ao diálogo advém de pessoas ou grupos animados pela auto-suficiência, pela arrogância. Quem está cheio de si não consegue abrir espaços para a presença dos outros.
            Reconhecimento do valor da alteridade é uma condição para um diálogo positivo com as outras tradições religiosas. Daí a importância da abertura desinteressada às convicções do outro e o respeito à sua identidade.
            Fidelidade à própria tradição: convicção religiosa, uma clara identidade cultural e religiosa. Não há como ser cidadão do mundo fora de um enraizamento particular.
            Abertura à Verdade: o diálogo é uma “aventura”, um caminhar em comum para uma aproximação cada vez maior do Deus que se auto-comunica ao humano, mas que permanece misterioso. Trata-se de um caminhar em que cada um dos interlocutores, permanecendo fiel à sua identidade e verdade particular, é convidado igualmente a participar de uma “celebração da verdade” que ultrapassa a particularidade específica de seus horizontes, provocando, assim, uma “recíproca conversão”.
            Compaixão ativa: ser alguém compassivo significa ter entranhas de misericórdia. Longe de ser identificada com um mero sentimento de piedade, a compaixão diz respeito ao profundo desejo de remediar todas as formas de sofrimento que corroem a humanidade e toda a criação e ao movimento de expansão do amor, que busca, acima de tudo, o bem estar dos outros.

         PEQUENAS AÇÕES, GRANDES TESTEMUNHOS
            A violência se enfrenta com indignação, reconhecimento dos direitos de todos, superação da fome e da miséria, justa distribuição de renda, preservação do meio ambiente e o efetivo exercício da cidadania ao alcance de todos.
            Sobretudo através da não-violência ativa, a exemplo de Mahatma Gandhi (1869-1948) e Martin Luther King (1929-1968). O primeiro era hindu, o segundo, batista. Seus testemunhos em favor da justiça e da paz se somam ao de madre Tereza de Calcutá (católica), Albert Schweitzer (luterano), dom Helder Câmara (católico), Desmond Tutu (anglicano) e Nelson Mandela (metodista).
            Num mundo globalizado, onde toda e qualquer ação individual, pequena ou grande, boa ou ruim, pode repercutir num instante sobre a Família Humana, as pessoas são chamadas a tornar-se universais, ou seja, pessoas que não tem responsabilidade só sobre si, mas sobre o mundo inteiro através de suas opções, suas atitudes, sua consciência, e seus compromissos. Não é mais possível pensarmos em termos paroquiais, regionais ou nacionais: são pequenos demais. Se houver salvação, será uma salvação para a humanidade toda. Se houver paz, justiça, fraternidade, vida plena para todos, será em termos planetários ou não será.
            O apelo por uma consciência da fraternidade ecumênica e universal convoca o mundo todo para uma ação responsável. Se as atuais evoluções de exclusão dos pobres e de degradação da natureza persistirem, então o desmoronamento dos sistemas necessários à vida do planeta serão inevitáveis. É necessário agir já – e todos – em âmbito local e global.
            Os primeiros a serem convocados são representantes das diferentes religiões, os quais, mais do que ninguém, conseguem falar às consciências das pessoas. Basta verificar que a regra básica de amar ao próximo como a si mesmo não se encontra só no Evangelho mas também em todas as grandes religiões. Obviamente, as religiões não substituem a instância econômica, política, cultural e militar, mas cabe a elas formular as motivações profundas e criar mística que confere força a um povo e que, em dados momentos, pode fornecer as justificações tanto para a guerra quanto para a paz.
            Um caminho de diálogo entre as religiões tornar-se, portanto, extremante necessário para o futuro do mundo, pois descobriremos que as coisas que nos unem são mais importantes do que as coisas nos separam. É urgente que cada tradição religiosa abandone todo exclusivismo e toda arrogância. É fundamental convencer-nos do valor espiritual de todas as religiões com renovadas atitudes, como uma nova mentalidade e com uma missão que aponta à conversão das pessoas para uma meta comum: um mundo de solidariedade e de paz.

PARA RESPONDER
1. Qual a importância do diálogo na vida das pessoas e da sociedade?
2. Como está o diálogo religioso no mundo atual?
3. Por que o diálogo inter-religioso é uma esperança para a humanidade?
4. Quais as condições para fazer um verdadeiro diálogo inter-religioso?


A Regra de Ouro nas Religiões
ISLAMISMO: “Nenhum de vós é um crente enquanto não deseja para o seu irmão o que deseja para si mesmo”. (40 hadithes de na-Nawawi 13)
JUDAISMO: “Não faça aos outros o que não queres que eles te façam: esta é a Lei, o resto é comentário”. (Hillel, Talmud B. Shabbatth 31ª)
HINDUISMO: “Não devemos nos comportar com os outros de uma maneira que para nós é desagradável: esta é a essência da moral”. (Mahabharata XIII.114.8)
CONFUCIONISMO: “Uma palavra resume a boa conduta: a bondade. O que tu mesmo não desejas, não o faças também a outros”. (Confúcio, Discursos 15,23)
CRISTIANISMO: “Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles: esta é a Lei e os Profetas”. (Evangelho de Matheus 7,12)
JAINISMO: “O homem deveria tratar todas as criaturas do mundo como ele próprio gostaria de ser tratado”. (Mahavira, Sutrakritanga I.11.33)
BUDISMO: “Uma situação que não é agradável para mim, como hei de impô-la a um outro”. (Samyuta Nikaya V, 353.35-354.2)


Para Pesquizar:justicia-001
1) Sinagoga
2) Mesquita
3) Templo Hinduista
4) Igreja Quadrangular
5) Igreja Católica
6) Igreja Episcopal
7) Igreja Evangélica Luterana
8) Templo Budista
9) Universal do Reino de Deus
10) Templo Islã
11) Templo Judaico
12) As seitas: Orientais, no Islã
13) Igreja da Graça
14) Assembléia de Deus
15) Outras
O trabalho de pesquisa e apresentação deverá ser feito em duplas, sendo que cada dupla deverá escolher um dos 14 temas para aprofundamento, abordando: templos religiosos, cultos e ritos.
O resultado da pesquisa das duplas será apresentada dias 01 e 02 de setembro.
Façam a pesquisa a partir das sugestões de sites apresentadas abaixo.

Sugestões:
Para obter mais informações sobre o judaísmo, a leitura da Torá e as sinagogas, pesquise em: Judaísmo
Para obter mais informações sobre as mesquitas muçulmanas, pesquise em: Wikipédia - Islã
Para conhecer virtualmente o maior templo budista da América Latina visite: Lugaresdomundo

Sites sobre Festas Religiosas:    Páscoa - Hinduismo - Cristianismo

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